Nossa história

Antecedentes

Uma década antes (anos 80), esse grupo de técnicos e professores universitários, que criaram o Instituto, já acumularam um relevante patrimônio intelectual e memorial das questões da Amazônia, sobre seus mais diversos aspectos, tendo em seu acervo tanto materiais bibliográficos raros, quanto documentações e registros referentes às suas atividades pioneiras na Amazônia ocidental brasileira. Dentre os trabalhos desenvolvidos pelos/as mentores/as e fundadoras do INDIA destacam-se:

1983 a 1992 levantamento histórico da situação de impacto real sofrido pela população da floresta em Rondônia, bem como fazer um levantamento preliminar de onde ainda havia população trabalhando com extrativismo florestal. Ajudaram a criar cinco associações de seringueiros e a Organização dos Seringueiros de Rondônia - OSR, a entidade de maior expressão sociopolítica dos seringueiros no Estado de Rondônia. Promoveram o primeiro encontro de seringueiros de Rondônia em 1985, e dois encontros de índios e seringueiros, protagonizando a aliança dos Povos da Floresta. Em 1986 organizaram a delegação de Rondônia que participou em Brasília do primeiro Encontro nacional dos seringueiros.

Primeira etapa institucional

Nesse contexto citado no parágrafo anterior, criou-se o Instituto de Pesquisa em Defesa da Identidade Amazônica –INDIA, o 14 de março de 1991, na sede da Universidade Federal de Rondônia, em Porto Velho.

  • Em 1992 o INDIA participou da criação da Associação dos seringueiros de Machadinho -ASM. Associação que congrega o maior número de famílias de seringueiros em Rondônia, congrega também o maior número de reservas extrativistas, 16.
  • No período de 1993 a 1996 o INDIA realizou os estudos sócio-econômicos, fundiários e de viabilidade jurídica de trinta áreas extrativistas em Rondônia. Em 1996 participou ativamente de forma técnica e política da criação de 21 reservas extrativistas, inclusive elaborou as minutas dos decretos que criaram as 21 reservas extrativistas estaduais, essa ação foi em parceria com o ITERON - Instituto de Terras e Colonização do Estado de Rondônia.
  • Nos anos de 1997 e 1998 o INDIA teve uma ação restrita de assessoria técnica a projetos pontuais de desenvolvimento sustentável junto a APRURAM, que é uma central de 14 associações de pequenos agricultores, situadas na região do Vale do Guaporé, e a COOPAMNU, cooperativa que congrega em torno de 200 famílias de pequenos agricultores, da região central do Estado de Rondônia. Junto com a COOPAMNU e a prefeitura de Nova União, se elaborou o primeiro Plano Integral de Desenvolvimento Sustentável de um município em Rondônia. A área de abrangência dessas duas entidades citadas possuía um índice de desmatamento superior a 80%.
  • Gestão do Parque Estadual Guajará Mirim - PEGM: No início do ano de 1997 o Governo do Estado de Rondônia iniciou o processo de licitação para gestão compartilhada do parque estadual Guajará-Mirim, o INDIA apresentou curriculum vitarum. Após ter sido selecionada em short-list, em julho de 1998 o INDIA apresentou proposta técnica e financeira, ganhando a licitação. Em agosto de 2001, foi assinado contrato de consultoria de serviços com o Governo do Estado de Rondônia, para implantar a Gestão Compartilhada do Parque Estadual Guajará-Mirim, as principais atividades desenvolvidas pelo INDIA foram:
    • (1) Mobilização Social: Comunidades locais e organismos governamentais e não governamentais mobilizados e integrados à Gestão do Parque, na área de influência que é composta de quatro municípios: Nova Mamoré, Guajará-Mirim, Campo Novo e Buritis. Foram realizadas várias visitas às comunidades rurais, terras indígenas e reservas extrativistas, associações de agricultores, seringueiros e pescadores, sindicatos de trabalhadores rurais e igrejas, nos quatros municípios. Também foram realizadas visitas aos organismos governamentais, especialmente prefeituras, com objetivo de mobilizar as comunidades e autoridades locais dos municípios tanto urbanas quanto rurais, para conhecer o Programa de Gestão Compartilhada do PEGM.
    • (2) Seminários e Oficinas: realizaram-se várias oficinas e três seminários com o objetivo de divulgação, sensibilização e capacitação social para a Gestão Compartilhada do PEGM.
    • (3) Diagnóstico socioambiental: realizou-se um diagnostico participativo, para atualizar os dados que estavam registrados em vários trabalhos sobre o Parque no Período de 1992 a 1997.
    • (4) Plano de Gestão do PEGM, elaborado de forma participativa: Realizaram-se três oficinas de planejamento para elaborar o plano de gestão 2002 que consolidou-se com dados técnicos de diagnósticos, pesquisas e projetos elaborados pela equipe multidisciplinar de consultores do INDIA.
    • (5) Conselho Consultivo do PEGM criado e funcionando: A elaboração do Plano de Gestão participativa do Parque levou à criação do Conselho Consultivo com participação paritária da comunidade, ONG’s e governo, que acompanham e avaliam o processo da Gestão do PEGM nas suas políticas públicas, socioeconômicas e ambientais.
    • (6) Administração: O INDIA teve a responsabilidade de administrar o Parque. Neste sentido possuía duas frentes de trabalho, uma na sede do Parque e outra no lado leste, em Jacilândia. Os três postos de vigilância atuantes com pessoal fazendo a guarda.
    • (7) Sistema Integrado de Segurança: Capacitou e contratou 16 Guardas-parque, os quais formaram 4 destacamentos de vigilância sistemática do Parque. Também foram elaboradas as Instruções Normativas do Sistema Integrado de Segurança e Proteção do parque - SISP.
    • (8) Ecoturismo: Realizou-se diagnóstico da Viabilidade do Ecoturismo e um seminário de Ecoturismo do Parque. O resultado foi uma proposta técnica para 4 anos, voltada para a implantação de um programa de ecoturismo no Parque Estadual Guajará-Mirim e seu entorno.
    • (9) Educação Ambiental: nos anos de 2001 e 2002 também desenvolveram-se ações de educação ambiental junto com os visitantes do parque e as diversas comunidades do entorno.
    • (10) Desenvolvimento Sustentável da População do Entorno: Envolvendo o apoio a associações de pequenos agricultores no campo da alternativa de produção agroflorestal, artesanal e extrativismo florestal, bem como a organização de cooperativas e fortalecimento das diversas formas de associativismo já existente, ajudou-se a criar a Cooperativa de Agroextrativistas de Jacilândia - Cooperlândia. Fruto desta ação de assessoria com a Cooperlândia, que assumiu posteriormente o INDIA AMAZÔNIA, instituição sucessora, foi iniciado o projeto Babaçú de Rondônia, junto com o SEBRAE, para a produção e Comercialização do óleo de babaçú, nas redes de Comércio Justo e Solidário. O projeto foi se desdobrando para a instalação de uma agroindústria de aproveitamento integral do fruto do babaçú, com apoio do Ministério de Desenvolvimento Agrário, que vai abranger, no início, a microbacia dos municípios de Campo Novo de Rondônia, Buritis e Monte Negro, no Território da Cidadania Vale do Jamari.
    •  (11) Escola da Floresta: O projeto de futuro do INDIA é de Educação, criar uma escola, que tenha como meta, além do ensino fundamental e médio, o enraizamento cultural amazônico, denominada Escola da Floresta. O Objetivo central da Escola da Floresta é estruturar e constituir, através de parcerias, uma instituição para o oferecimento da educação formal, visando a qualidade e a sustentabilidade sociocultural, econômica e ambiental de um espaço da Amazônia Brasileira. A proposta para o Segundo Grau profissionalizante é a partir da pedagogia da alternância, cujo público alvo serão os alunos que concluíram o primeiro grau procedentes das Reservas Extrativistas e Terras Indígenas, assim como da Agricultura Familiar na região do Mamoré, para serem formados como empreendedores e agentes de desenvolvimento, com ênfase no Ecoturismo, a Agroecología e a Agroindústria de beneficiamento dos produtos agroextrativistas.

O INDIA-AMAZÔNIA (segunda etapa institucional)

No processo de fazer ações de educação ambiental na cidade de Porto Velho o INDIA foi se articulando com jovens que tinham interesse em atuar na defesa das questões socioambientais da Amazônia. Neste contexto os jovens do INDIA participaram da Primeira Conferência Infanto-Juvenil de Meio Ambiente, ocasião em que foi formado o Coletivo Jovem pela Sustentabilidade de Rondônia - CJS/RO, movimento de jovens urbanos que surgiu da reunião não formal de jovens de vários movimentos sociais com novas perspectivas socioambientais. O CJS/RO se configurou numa rede local que dentre outras ações e realizações, articulam pessoas e organizações, circula informações de forma ágil pensando criticamente o mundo a partir da sustentabilidade, seus membros planejam e desenvolvem ações e projetos disseminando propostas que apontem para uma sociedade mais justa e equitativa.

Este Coletivo Jovem pela Sustentabilidade de Rondônia encontrou no Instituto INDIA um apoio incondicional durante o caminhar evolutivo do movimento. O apoio e assessoria do INDIA garantiu a participação de jovens em fóruns, conselhos e comissões da área ambiental de Rondônia e essa inserção deu aos seus membros a valiosa possibilidade de conhecer as organizações afins com a temática ambiental, dentro da perspectiva de terceiro setor. Neste contexto o Instituto INDIA, pertencente a uma geração, foi se reformulando e surgindo, de uma nova geração, o INDIA-AMAZÔNIA, com o intuito de condensar visões críticas diferenciadas capazes de redirecionar novos caminhos rumo à sustentabilidade socioambiental da Amazônia e que vem atuando através de ações de intervenção interdisciplinares e multiprofissionais baseadas na diversidade das origens e necessidades dos povos e comunidades, pautando sempre no princípio de compromisso com a identidade amazônica, especialmente para a juventude de Rondônia.

O Instituto INDIA-AMAZÔNIA é fruto da evolução do debate dos sócios experientes do Instituto de Pesquisa em Defesa da Identidade Amazônica - INDIA com a Juventude sobre a Amazônia. Os valores e experiências do INDIA e o acúmulo de debate do Coletivo Jovem pela Sustentabilidade -CJS/RO, evolui para uma participação mais plural no novo Instituto INDIA-Amazônia, visto que faz parte de seu quadro de associados: jovens indígenas, estudantes universitários e jovens profissionais de diversas áreas. Na integração com o movimento indígena, concretamente o INDIA-AMAZONIA participou da estruturação da OMIR-Organização de Mulheres Indígenas de Rondônia, Norte do Mato Grosso e Sul do Amazonas, também participou de ações conjuntas com a Associação dos Povos Indígenas Cassupá e Salamae. À petição do Colegiado do Território Central de Rondônia, a equipe técnica do INDIA-AMAZÔNIA elaborou o projeto “SEMEANDO” para o povo indígena Uru Eu Wau Wau, apresentado e aprovado pela PETROBRÁS numa grande concorrência, mas que no final não foi autorizado pela FUNAI, embora o interesse expressado pelos indígenas, sobretudo jovens.

Atualmente o ÍNDIA-AMAZÔNIA integra a coordenação do Coletivo Jovem pela Sustentabilidade de Rondônia - CJS/RO, movimento de juventude que vem se articulando para criar a Rede Rondoniense de COM VIDAS (Comissões de Meio Ambiente e Qualidade) e Agendas 21 Escolar. Com o qual desenvolve trabalhos de educação ambiental no âmbito do programa do Governo Federal “Vamos Cuidar do Brasil” em Escolas da rede pública, sob os cuidados da Coordenação Geral de Educação Ambiental da Secretaria de Educação Continuada Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação. A metodologia de implantação das Comissões de Meio Ambiente e Qualidade -COM VIDAS- e suas respectivas Agenda 21, está em consonância com o Programa Nacional de Educação Ambiental - PRONEA. A metodologia é uma adaptação da Oficina de Futuro para construção participativa da Agenda 21 global, posta aos alunos com uma linguagem adaptada aos princípios da educação ambiental construtivista e libertadora, com oficinas interativas e pesquisa-ação participante.

Outras atuações e participações do INDIA-AMAZÔNIA: Audiência Pública para PPJ - Parlamento Jovem e Secretaria Municipal de Juventude; Encontro Preparatório Estadual p/ II CNIJMA; II Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente; Viva Rio Madeira Vivo; Seminário Municipal de Educação no Campo; COE (Comissão Organizadora Estadual); Gestão Integrada Cuniã - Jacundá; FBONGs (Fórum Brasileiro de Movimentos Sociais e ONG’s ); REBEA (Rede Brasileira de Educação Ambiental); REJUMA (Rede de Juventude pelo Meio Ambiente); RAJMA (Rede  Amazônica de Juventude pelo Meio  Ambiente); Articulação do Conselho Municipal de Juventude de Porto Velho; Rede GTA; III Encontro Nacional de Juventude pelo Meio Ambiente (2006). Encontro de Socialização dos CJs e da Rede de Agendas 21da Região Norte. I Encontro Regional de Educação Ambiental; Encontro Nacional Preparatório para VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental (2007).